Que dizer dos lacticínios?

Muitas pessoas evitam o leite de vaca, tanto porque ele contém gordura, colesterol, proteínas a que são alérgicas, lactose e frequentes vestígios de contaminação, como porque o seu consumo contribui para a exploração dos bovinos. O leite está longe de ser o ``alimento mais perfeito da natureza``.
Quanto ao cálcio, apenas absorvemos uma pequena parte do que se encontra no leite de vaca.
Felizmente, existe uma grande variedade de boas fontes de cálcio e de óptimos substitutos dos lacticínios.



Doenças associadas ao consumo de lacticínios:

Cancro
Das 59 hormonas do leite, uma é um poderoso auxiliar do crescimento, de seu nome IGF-1 (Insulin-like Growth Factor One - Factor de Crescimento similar à Insulina). Segundo especialistas em medicina, o IGF-1 é um factor-chave na aceleração do crescimento e na proliferação de cancros da mama, da próstata e do cólon. Provavelmente actua também como catalisador no desenvolvimento de outras formas de cancro.
Segundo um estudo, constatou-se que os consumidores que bebiam 360g de leite por dia tiveram um aumento de 10% no nível de IGF-1.
Um outro estudo recente, publicado na revista científica American Journal of Clinical Nutrition e realizado pelo Instituto Karolinska, Suécia, acompanhou mais de 60 mil mulheres e concluiu que as que bebem dois ou mais copos de leite por dia aumentam os riscos (até 50%) de desenvolverem formas mais agressivas de cancro dos ovários. As mulheres foram acompanhadas durante cerca de 13 anos e tinham entre 38 e 76 anos de idade. Durante esse período, 266 mulheres foram diagnosticadas com cancro nos ovários. As mulheres que bebiam dois ou mais copos desenvolveram mais a doença do que as que não consumiam leite, ou consumiam apenas em pequenas quantidades. Os cientistas deste estudo apontam a lactose como um possível estimulante de hormonas que, por sua vez, estimulam o crescimento de tumores.

Colesterol
O conteúdo de colesterol de três chávenas de leite é igual ao de 53 fatias de bacon.


Diabetes
Estudos publicados nas revistas New England Journal of Medicine e Lancet, nos anos 90 do século XX, apontam para o facto de existir uma relação directa entre o consumo de leite e o aparecimento da diabetes juvenil (tipo1 ou mellitus).
Constatou-se que os diabéticos tipo1 produzem anticorpos contra as proteínas do leite, o que é raro acontecer em pessoas saudáveis. De 142 crianças diabéticas testadas, 100% apresentavam níveis elevados de um anticorpo contra a proteína do leite de vaca. Acredita-se que estes anticorpos destruam as células produtoras de insulina do pâncreas.

Intolerância à lactose
Muitas pessoas, sobretudo de descendência asiática e africana, são incapazes de digerir o açúcar do leite (lactose) que lhes causa diarreia e gases. Este açúcar, quando digerido, liberta galactose, um açúcar simples que está ligado ao cancro dos ovários e às cataratas.

Alergias
O leite é uma das causas mais frequentes de alergias alimentares. Muitos dos sintomas são subtis e, durante muito tempo, podem não ser atribuídos ao leite.

Cólicas
As proteínas do leite podem causar cólicas, um problema digestivo que afecta uma em cada cinco crianças. As mães que bebem leite podem também passar essas proteínas aos filhos através da amamentação.


Constituintes do leite:

Bactérias
Uma grande fonte de bactérias do leite, são vestígios de fezes. Normalmente o leite é pasteurizado mais do que uma vez antes de chegar à mesa - cada vez durante 15 segundos à temperatura de 72°C. Por contraposição, a água é esterilizada a 100°C durante vários minutos. Por outro lado, à temperatura ambiente o número de bactérias no leite duplica a cada 20 minutos.

Pus
Um centímetro cúbico de leite de vaca comercial pode ter até 750.000 células somáticas (mais conhecidas como pus) e 20.000 bactérias.
Isso chega a 20 milhões de bactérias e a 750 milhões de células por litro.

1 chávena = 236,5882 cm3 ~ 177.441.150 células de pus e 4.731.600 bactérias.

A ingestão diária recomendada para um adulto é de três vezes esta quantidade.

A Comunidade Europeia e o Canadá só permitem 400.000.000 (quatrocentos milhões) de células de pus por litro. Em geral esses níveis são mais baixos, mas podem chegar a este nível e ainda assim chegar à mesa.

Gordura
As pessoas suspeitam que a manteiga é só gordura, mas não têm ideia de quanta gordura existe no leite e nos restantes lacticínios.
Os produtos que usam derivados do leite (caseína, soro, lactose) são provavelmente uma causa importante de problemas de peso e saúde.

Leite integral: 49% das calorias vem da gordura.
Leite meio-gordo: 35% das calorias vem da gordura.
Queijo cheddar: 74% das calorias vem da gordura.
Manteiga: 100% das calorias vem da gordura.

Cálcio
O cálcio do leite de vaca é basicamente inútil.
Os países com mais alto nível de consumo de lacticínios também têm o maior nível de osteoporose, como atestado por um estudo desenvolvido em 78.000 enfermeiras de Harvard, num período de 12 anos.
Na verdade o leite fornece cerca de 300mg de cálcio por chávena. Mas absorvemos apenas cerca de 32%, ou seja, 96mg de cálcio.
Consumir um alimento rico em ferro e/ou vitamina C juntamente com um rico em cálcio aumenta a absorção deste mineral. A vitamina D também ajuda a fixar o cálcio nos ossos.


Factores que afectam a perda de cálcio do corpo:
- As dietas demasiado ricas em proteínas provocam maior perda de cálcio através da urina.
- A cafeína aumenta a taxa de perda de cálcio pela urina.
- As dietas ricas em sódio aumentam as perdas de cálcio na urina.
- O álcool inibe a absorção deste mineral.
- O mineral boro tende a desacelerar a perda de cálcio dos ossos.
- A falta de exercício físico contribui para a não conservação de cálcio nos ossos.

Nível de absorção de cálcio em alimentos vegetais:
- Vegetais de folhas verde-escuras (brócolos, couve, etc.): 50-70%
- Amêndoas: 21%
- Leguminosas: 17%

Proteínas
O leite é considerado uma boa fonte de proteínas. Mas, na realidade, o excesso de proteínas animais pode provocar a perda de cálcio do corpo.

Cada chávena de leite fornece cerca de 9 g de proteínas, mas que causam a perda de 9 mg de cálcio pela urina. Uma pessoa que não inclui proteína animal na alimentação pode ter menor necessidade de cálcio. Por exemplo, um vegano que consuma uma dieta sem proteínas animais e pobre em sódio pode precisar apenas de 500 mg de cálcio por dia. Quem consome uma dieta rica em proteínas e sódio pode precisar de até 2000 mg de cálcio por dia.
80% das proteínas do leite são caseína. A caseína é de difícil coagulação nos estômagos dos bebés.


Substitutos dos lacticínios:
O leite de vaca e derivados podem ser substituídos pelos mesmos produtos derivados de soja ou outros idênticos.

O leite pode ser substituído por leite de soja, também conhecido por extrato de soja ou bebida de soja. É uma bebida feita a partir de feijão de soja demolhado e moído. Pode encontrar-se simples ou com sabores, ou pode produzir-se em casa. É uma óptima alternativa ao leite de vaca e uma boa fonte de proteínas. É de fácil digestão, não contém colesterol e tem menos gordura do que o leite de vaca.
O leite de vaca pode ainda ser substituído por leite/bebidas de arroz, aveia ou amêndoas.

Também para os iogurtes já existem alternativas. O iogurte de soja é feito a partir de leite de soja e um óptimo substituto dos iogurtes tradicionais. Pode ser natural, com aromas ou com pedaços.

As natas de leite podem trocar-se por natas de soja ou de aveia. Substituem as natas de leite de vaca em vários preparos culinários e usam-se da mesma forma.

Pode também substituir-se a manteiga pelo mesmo peso de óleo de arroz, girassol ou milho, ou ainda por manteiga de soja, de amêndoa ou de amendoim (deve escolher-se uma marca sem lactose).

Quanto ao queijo, também já existe à venda feito a partir da soja. Encontram-se vários tipos de queijo e em termos de sabor e aspecto são idênticos aos tradicionais. Conseguem adquirir-se nas melhores lojas de produtos naturais, o único senão é ainda o elevado preço.


Baseado nos artigos:
http://www.centrovegetariano.org



Inserido em: 2005.12.11 Última actualização: 2010.12.05

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Leite de vaca